Critério da Aesa ameniza gravidade da escassez de água na Paraíba

A régua da Aesa-PB (Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba) faz a crise hídrica no Estado parecer bem menor quando o Instituto Nacional do Semiárido (Insa) usa o mesmo instrumento para medir o tamanho do problema. Pelos critérios da Aesa, um açude atinge situação crítica quando tem menos de 5% de água. Segundo o Insa, de 10% pra baixo

Dos 109 reservatórios da Paraíba monitorados pelo Insa, 23 entraram em colapso – estão literalmente secos –  e 51 em estado crítico, pois estão com menos de 10% da capacidade de armazenamento. Já a Aesa  mostra que o Estado tem hoje 67 reservatórios em situação crítica (com menos de 5% da capacidade total) e mais 30 em observação (menos de 20% da capacidade total). A ‘boa notícia’, sob os parâmetros da Agência estadual, é que outros 30 reservatórios estão com capacidade armazenada atualmente superior a 20% do volume total.

Deixando de lado as divergências de medição entre os dois órgãos, ambas certamente respaldadas tecnicamente, o fato é que a escassez de água ma Paraíba e em todo o Semiárido nordestino está se tornando cada dia mais dramática. E o que já vinha ruim piorou. De acordo com o Insa, somente entre outubro último e novembro corrente, o volume armazenado em 452 reservatórios do território da seca, lembrando que a maior parte deles está na a Paraíba, diminuiu a ponto de elevar de 59% para 63% a quantidade de sistemas de armazenamento que entraram em colapso ou se encontram em estado crítico.

O aumento de 4% do número de reservatórios nessas duas condições, apenas no curto espaço de um mês para o outro, fez o Insa disparar o alerta de que é necessário intensificar ainda mais o gerenciamento dos recursos hídricos em toda a região afetada pela seca no Nordeste. Além do mais, é muito improvável que açudes e barragens secando recebam alguma recarga ainda este ano, porque o período de chuvas passou.

A advertência veio a propósito do lançamento, na segunda-feira (21), da 11ª edição do ‘Monitoramento dos Reservatórios da Região Semiárida’. A publicação traz dados e gráficos  que comprovam, em cada um dos estados afetados, o quadro preocupante de redução contínua da disponibilidade de água nos reservatórios afetados pela falta de chuvas e submetidos a evaporação constante.

Conforme o Instituto, esses 452 reservatórios juntos podem armazenar até 40 bilhões de metros cúbicos, mas o volume atual – até dia 10 de novembro, data de fechamento da 11ª edição do boletim – não passa dos 21% da capacidade máxima, índice considerado uma marca histórica prova da gravidade da crise hídrica.

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  • O gráfico ao lado retrata a evolução do armazenamento de água dos reservatórios do Semiárido brasileiro acompanhados pelo Insa com base no reservatório equivalente. Observa-se um declínio acentuado nos volumes acumulados desde janeiro de 2012, cujo volume armazenado à época era de 67%, e posteriormente, nos anos subsequentes,as recargas foram insignificantes, alcançando em novembro de 2016 a marca histórica de 21% de água armazenada. 

“Esta situação requer um intenso gerenciamento dos recursos hídricos, tendo em vista que boa parte dos reservatórios está localizada em áreas nas quais o período chuvoso já se encerrou, tornando improváveis recargas para este ano”, diz o documento do Instituto.

O Insa registra, ainda que 19% dos reservatórios monitorados têm seus volumes oscilando entre 10% a 30% e apenas 11% têm seu volume acima de 50% . Entre esses 452 reservatórios não foram considerados os operados pelo sistema elétrico (Xingó, Sobradinho, Moxotó, Itaparica, Paulo Afonso I, II, III e IV).

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A Aesa registra, por seu turno, que a Paraíba tem condições de armazenar até 3.783.918.864 de metros cúbicos, mas o volume atual é de 395.228.723 de metros cúbicos, quase dez vezes menos da capacidade total. No Estado, dezenas de reservatórios estão diminuindo, dia após dia, o volume de água armazenado. Basta ver, por exemplo, a situação de três dos seus principais açudes:

Coremas, que pode armazenar até 591.646.222 m³, estava em outubro passado com volume de 18.412.061 m³, o que representa 3,1% da capacidade total. Nesta quinta-feira (24), o volume caiu para 15.903.736 m³, só 2,7% da capacidade máxima.

Boqueirão, que tem capacidade para 411.686,287 m³, estava mês passado com volume de 24.889 m³ e caiu, também em 24 deste mês de novembro, para  22.784 m³, ou seja, somente 5,5% de sua capacidade total.

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Este gráfico da Aesa mostra a redução do volume d´água de Boqueirão

Engenheiro Ávidos, em Cajazeiras, esteve em outubro com volume de 14.145.825 m³, o que representa 5,9% de volume máximo de  255.000,000. Caiu mais ainda na medição do dia 24/11, quando registrou volume de  13.562.024 m³, ou 5,3% da capacidade máxima.

O boletim de monitoramento divulgado pelo Insa apresenta também dados do Infoclima do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climático (CPTEC), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a respeito das previsões climáticas, na região, para os meses de novembro, dezembro/2016  e janeiro de 2017.

A conclusão expressa no documento, por fim, não é nada animadora: “Para o Nordeste, onde se localiza o Semiárido, ainda que ocorra um cenário com chuvas dentro das previsões climáticas, a bacia hidrográfica do rio São Francisco permanecerá com vazão abaixo da média histórica. Dessa forma, a tendência para o trimestre referido é que a crise hídrica continue e consequentemente os efeitos da seca na região Norte do Semiárido”.

Para quem não sabe ou não acompanha toda essa situação há no Estado um ‘Comitê de Gestão da Crise Hídrica na Paraíba’, criado em 10 de junho deste ano. Composto de órgãos governamentais, instituições de controle externo, a exemplo do Ministério Público, e entidades da sociedade civil, o Comitê promoveu uns esparsos encontros, algumas reuniões, e difunde pouco suas atividades.

  • (Com informações do Insa e da Aesa)

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