Cantora denuncia ‘calote’ da Prefeitura

FLAVIA WENCESLAU FOTO

A Carta Aberta que o blog transcreve a seguir, na íntegra, foi publicada no Facebook de sua autora no último sábado (23). Trata-se de mais uma história triste e revoltante de injustificável atraso – já então com um mês e dez dias – no pagamento do cachê de uma artista da terra pelo poder público, que não adota o mesmo tipo de tratamento para os ‘grandes astros’. O ‘calote’ é da Prefeitura de João Pessoa, através da sua Fundação Municipal de Cultura (Funjope). A vítima da vez é Flávia Wenceslau (foto), cantora e compositora admirada por milhares de fãs em todo o país, dona de uma das mais belas e afinadas vozes da Paraíba.

 Carta Aberta à Funjope

Venho por meio deste relato,expor uma prática comum de alguns órgãos públicos em relação aos artistas independentes e aos demais prestadores de serviços honestos.

Não é a primeira vez que me acontece e agora resolvi falar de modo sincero e pacífico sobre isto.Em busca de mostrar o que muitas vezes muita gente nem imagina que acontece e esse tipo de postura precisa de denúncia e de transformação.

Eu fui convidada a cantar na Paraíba no evento de Reinauguração de um Cartão Postal, Parque Solon de Lucena,que segundo a própria mídia custou 37 milhões.

Pois bem,eu não tenho ainda uma estrutura de um mega escritório com advogados e produtores a minha disposição, sou uma trabalhadora da minha arte assim como muitos, na luta da vida.

Foi solicitada através da minha empresária uma série de documentos, em tempo hábil de uma semana para fechar contrato. Olhem só o valor do contrato: R$ 7.000.00 (sete mil reais). O que significam sete mil reais? Comparado a R$ 37 milhões? Esse depoimento não é só pelo dinheiro. É porque eu me respeito e procuro respeitar meus compromissos de ordem material e espiritual.

É no mínimo decente um trabalhador ter perante a lei dos homens o suor do seu rosto validado com respeito. Perante a Lei da vida isto  já é sagrado.

Fui providenciar pessoalmente alguns dos documentos pedidos. Eu tenho três filhos pequenos, não tenho babá nem secretária. Dois dos meus filhos vão pra escola e eu às vezes saio com o caçula de colo, pra ir resolver coisas diárias como fazer mercado, lavar o carro, ir na farmácia e tudo mais que uma mulher que cria  três filhos precisa fazer. Fui com meu caçula enfrentar a demanda vagarosa dos atendimentos em repartições públicas, para providenciar documentações que provem que eu não sou ladra, que provem que eu não tenho dívidas com o Estado e que provem que sou cantora. Sim, o contrato pedia três contratos anteriores de valor igual, que provem minha atividade. Eu canto há quase vinte anos, tenho canções na voz de grandes nomes, mas isso pra eles não prova minha idoneidade nem profissão.

Tirei os documentos necessários, em seguida deparei-me com outras faltas de capacidade por parte do contratante. Eu cheguei a desistir de ir, por outros absurdos acontecidos, mas resolvi considerar o drama a mim apresentado, que tinham contratado um Maestro de São Paulo e esse seria o maior evento do ano. Enfim, fui lá e cantei, fiz meu trabalho.

Desde daquele 12 de junho minha empresária passa pelo constrangimento diário da falta de postura, falta do decoro e falta do cumprimento da palavra e do contrato acontecido.

Até agora não recebemos o pagamento, o que minha empresária recebe são fotos no wathsapp, da tela de um computador fazendo um cadastro em meu nome, para ser enviado ao banco que irá fazer a transferência do depósito. E recadinhos rápidos que o pagamento será feito, sem mais.

Eu sou cidadã, mãe de três filhos, moro de aluguel, meu carro é um Honda Fit 2004, tenho um único cartão de crédito que sonha em respirar um dia e no mais sou o que muitos conhecem: canto, luto, acredito na força do trabalho e do destino de um coração que busca um propósito maior naquilo que faz.

Sou feliz com minha vida, com meus fãs, com amigos que tenho e os anseios da minha voz são anseios de um mundo mais justo, onde a consideração ao semelhante seja a qualidade mais natural do homem.

Isso aqui não é um lamento revoltoso, sei o que estou fazendo, sei que às vezes é necessário este tipo de atitude para que as pessoas reflitam e conheçam os absurdos a que o trabalho e o prestador de serviço, seja na arte ou noutra atividade, são submetidos de forma que compromete profundamente o direito de ir e vir. Porque se eu não pagar minha banda, eu estou comprometendo o direito de sustentarem suas famílias; se eu não pagar meu aluguel, eu comprometo o direito dos meus filhos terem teto e eu também .Talvez isso só aconteceu desta forma porque eu não tenho rabo preso com político, não sou mulher de grupos de exclusão seja qual for, a minha voz não está a serviço da imoralidade nem de favores.

Continuarei sem Temer, cantando e plantando com a força do meu trabalho um destino digno e uma história que honre meu nome, meu estado a Paraíba, meu País e, acima de tudo, honre a responsabilidade que foi me dada pela natureza através da minha voz.

O orgão devedor se chama Funjope.

Eu me chamo Flávia Wenceslau, cantora e compositora.

Peço aos fãs que compartilhem.

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  1. Maria Augusta Disse:

    É realmente uma falta de respeito com o trabalho de um profissional. Contrata, exibe o evento para a sociedade e faz um papel deplorável deste …..Você fez certíssimo em expor o seu problema para que venha ao conhecimento dos eleitores paraibanos .

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