Advogado diz que despreparo de gestores ajuda corrupção na saúde

O advogado e Professor de Direito João Peixoto apontou o despreparo técnico e gerencial de boa parte dos gestores de saúde pública como estímulo à corrupção na área. “Daí vem boa parte da responsabilidade pelos desvios, porque o despreparo favorece um ambiente de corrupção”, disse, ao ser entrevistado nesta segunda-feira (27) pelo CBN Cotidiano ao lado do Procurador da República Rodolfo Alves e do Promotor de Justiça Octávio Paulo Neto.

Os três abordaram a corrupção no sistema de saúde pública na Paraíba e concordaram que o agravamento do problema decorre ainda da complexidade e da capilaridade dos serviços prestados no setor por órgãos e unidades estaduais, municipais e federais. João Peixoto acredita que uma das formas mais eficientes de combate à corrupção, nessa ou em qualquer outra área, é a interação e a colaboração entre as instituições de fiscalização e controle.

Lembrou que dados do TCU (Tribunal de Contas da União) mostram que é na saúde onde está o atrativo maior para corrupção e mostrou que outro agravante do problema é o cidadão comum desconhecer a vinculação entre as carências da saúde e os desvios de recursos na área. “Ele não vê e não entende a falta de medicamentos, de precariedade de estrutura em postos de saúde e hospitais. Falta enxergar o nexo de causalidade entre uma coisa e outra”, ressaltou.

No entendimento de João Peixoto, quanto mais a população se apoderar da lógica e do raciocínio que levam à percepção do estrago que a corrupção faz na saúde pública, maior será o combate aos corruptos em benefício da própria cidadania. Lamentou, a propósito, que o problema não seja discutido nas faculdades de Medicina, Enfermagem e áreas afins com maior intensidade ou assiduidade.

“A temática da corrupção não é compartilhada com esses profissionais que estão sendo formados, principalmente na área de saúde”, informou, esboçando a ideia de que o assunto seja incorporado de forma permanente aos conteúdos aos cursos das ciências médicas e da saúde e também ao ensino de Direito, especialmente do Direito Sanitário e do Direito Farmacêutico.

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